Queremos sair desta crise
Sábado, Janeiro 26, 2008 12:32RECORD – Na época passada o Sporting terminou a 1 ponto do FC Porto; agora a distância está em 14. A diferença de qualidade das equipas é assim tão grande?
MIGUEL VELOSO – Temos de dar mérito ao FC Porto. Tem um colectivo bastante forte e daí estar no primeiro lugar e ter esses pontos de vantagem. Depois, penso que o que aconteceu no Sporting é normal. Quer dizer, não é… mas as coisas hoje são um pouco diferentes da época passada. Entraram alguns jogadores novos, saíram outros igualmente importantes e, por isso, talvez o entrosamento não seja ainda o melhor. É algo que está a evoluir e a melhorar cada vez mais, à medida que os jogos passam.
Como disse, há que dar mérito ao FC Porto porque tem sido uma equipa extremamente regular no campeonato e nós temos cometido alguns erros que nos têm sido fatais, muito embora em determinados momentos não tenhamos tido aquela felicidade que às vezes também é necessária.
R – Na época passada, antes do jogo com o Benfica, disse que o Sporting era melhor que o Benfica e o FC Porto em tudo. Mantém?
MV – Quando dizia que o Sporting era melhor em tudo referia-me a aspectos relacionados com a integração dos jogadores jovens.
Por causa da Academia que tem, dos ginásios e dos campos que oferece, e das próprias pessoas que lá trabalham, que ajudam os miúdos de 13 ou 14 anos que não têm a família por perto. Eles dão todo esse apoio, e em termos escolares também o fazem. Foi por isso que disse que o Sporting é melhor em tudo. Também estive no Benfica. Posso comparar um clube com o outro e, em termos de formação, não há dúvida que o Sporting é melhor.
R – Sente que uma vitória contra o FC Porto pode relançar o campeonato, tal como aconteceu na época passada, quando o Sporting foi jogar ao Dragão com 9 pontos de desvantagem?
MV – As vitórias moralizam sempre qualquer equipa e qualquer jogador. E dão mais confiança. É importante continuarmos na senda das vitórias pois, como disse, só assim poderemos ganhar confiança. Nesta altura, se conseguíssemos uma vitória com o FC Porto seria bastante importante, não apenas para os objectivos do campeonato como também para os outros jogos que temos pela frente na Taça de Portugal, na Taça da Liga e na UEFA.
R – Até que ponto foram importantes as duas últimas vitórias?
MV – Foram bastante importantes, porque infelizmente não conseguimos uma vitória com a Académica. Fomos um pouco abaixo, porque, como é lógico, sentimos as derrotas da mesma forma que sentimos quando não jogamos bem. Estas duas vitórias vieram dar mais confiança e moral à equipa, para um clássico que vai ser bastante importante para não deixarmos fugir ainda mais o FC Porto e tentar encurtar ao máximo a desvantagem pontual.
R – Este clássico é um tira-teimas?
MV – Queremos mostrar que o Sporting não é aquela equipa fraca de que muitas pessoas falam, dizendo que os jogadores estão em baixo de forma. Queremos sair desta crise que se criou. Não é fácil estar na situação que estivemos ou que estamos ainda.
Perdemos e empatámos muitos jogos e toda a gente nos fez críticas. Queremos sair desta crise porque também sentimos as derrotas! Não é este o lugar que o Sporting merece e que nós queremos para o Sporting.
R – Acredita que o Sporting pode sair da crise frente ao FC Porto?
MV – Se ganharmos este jogo, a crise não vai desaparecer. Mas uma vitória ajudará a ultrapassá-la porque dará mais confiança e moral.
R – No Dragão, o Sporting interrompeu uma série de 23 encontros seguidos sem perder fora. A equipa acusou em demasia essa derrota?
MV – A derrota não nos marcou por estarmos há 23 jogos sem perder fora de casa. Marcou-nos simplesmente porque perdemos e por isso ter acontecido frente ao FC Porto. Era um clássico e ninguém gosta de perder este tipo de jogos. Talvez tenha causado alguma desmotivação, mas pela partida em si e não por ter terminado com essa série.
R – Nessa altura, o Vukcevic terá dito que o FC Porto era o Quaresma e mais 10. O FC Porto depende muito de Quaresma?
MV – Não. O Quaresma é um jogador que desequilibra bastante e que dá alma ao FC Porto. No entanto, o FC Porto vale pelo colectivo.
R – Pedro Silva opinou que os jogadores do FC Porto falavam de mais e Bosingwa considerou-o “um coitado”. Bosingwa foi infeliz?
MV – Não posso colocar-me no lugar das outras pessoas. Se o Bosingwa disse isso, cabe-lhe a ele responder. Não há motivo para entrarmos em guerras de palavras. O que temos para mostrar é dentro de campo.
R – Quaresma renovou e veio dizer que ama o FC Porto. Tendo sido formado no Sporting, pensa que ele vai ser mal recebido amanhã?
MV – As pessoas têm de compreender que quando nós saímos da equipa onde fomos formados levamo-la sempre no coração. É isso que acontece com o Quaresma. Ele também gosta do Sporting. Mas se chegamos a uma casa nova e se as pessoas nos tratam bem, é normal que se ganhe algum amor por esse clube.
R – Atendendo ao tempo necessário para criar rotinas, pode-se concluir que o campeonato do Sporting só está a “começar” agora?
MV – Não, o campeonato já começou em Agosto… Lamentavelmente, não temos conseguido resultados favoráveis. Se as coisas estivessem a correr bem, não se colocaria esse tipo de problemas. Na verdade, entraram alguns jogadores novos e, por isso, temos de criar rotinas
R – Sentiram muito a falta de Nani, Caneira ou Ricardo?
MV – É normal sentirmos falta de quem saiu. Eram jogadores com qualidade. Temos novos jogadores com valor, mas que podem não
estar tão habituados ao futebol português e europeu. Nós, que já cá estávamos, temos de ajudá-los. Temos de dar continuidade ao trabalho que temos vindo a desenvolver.
R – Como amigo de Yannick, como tem acompanhado esta fase negativa que ele está a atravessar?
MV – Infelizmente lesionou-se na Selecção; depois veio para o Sporting, recuperou e lesionou-se outra vez; teve de ser operado…
Torna-se complicado para qualquer jogador estar 2 ou 3 meses parado. Perde-se ritmo de jogo, perde-se confiança, o moral vai-se abaixo e eu, como colega, tento sempre ajudá-lo nestes momentos mais difíceis, que é quando se vêem os amigos. Não tem sido nada fácil para o Yannick.
R – Derlei esteve lesionado e perto de voltar à competição. Que importância poderá ter o regresso dele?
MV – Toda a gente conhece as qualidades do Derlei; é uma mais-valia para o grupo. Infelizmente as lesões dele e do Pedro Silva foram prolongadas. Desejamos que voltem o mais rápido possível, porque também tem sido bastante difícil para eles.
R – Ganhar a Taça UEFA é meta?
MV – É muito difícil, mas vamos fazer tudo para chegar o mais longe possível.
R – Como é que explica a dualidade entre as provas a eliminar e a Liga?
MV – Estamos a uma distância muito grande do primeiro lugar e nas outras competições temos tudo para conseguir chegar à final… Não há explicação possível. Isso aconteceu, mas vamos tentar inverter a situação.
R – A dada altura apontou-se grande oscilação exibicional entre jogos europeus e internos.
MV – Pode acontecer, mas não deve. Deveríamos ter sempre a mesma mentalidade e pensar que qualquer jogo é uma final. Mas às vezes isso não acontece…
R – A equipa pode inverter essa tendência, entre a Taça UEFA e as provas nacionais?
MV – Temos todas as capacidades para inverter essa situação e com certeza que vamos conseguir.
R – O Sporting está em três taças. Se pudesse escolher uma para ganhar, qual escolheria?
MV – As três! [risos] São as três importantes. Já conseguimos vencer a Supertaça. Sabemos que ganhar nas três frentes é muito difícil. Mas vamos fazer tudo para vencer tudo.
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