Bento: “Miguel pode ter carreira brilhante”

Domingo, Novembro 22, 2009 17:23

Paulo Bento concedeu uma grande entrevista ao jornal Record, onde entre muitos outros temas abordou o valor de Miguel Veloso.

Record – Está de acordo que o regresso de Rochemback não resultou?

Paulo Bento – A vinda dele traduziu-se em dois momentos. A época em que regressou, durante a qual teve um rendimento positivo, ainda que sem ser extraordinário. Ficou, porém, nitidamente marcada pela lesão em Matosinhos, que lhe tirou os últimos 7 jogos do campeonato e roubou a continuidade que podia ter num momento em que estava bem. Ainda assim, fez uma época positiva. Era um jogador que trabalhava bem, que colocava profissionalismo no treino. Esta temporada, em função de sentir que não ia ser primeira opção, optou por chegar a acordo com o clube e sair.

R – O regresso acontece na perspectiva de Miguel Veloso estar a ser valorizado e poder sair…

PB – A vinda do Rochemback teve a ver com o critério do que nós pretendíamos em termos de identidade com o clube, competitividade para o plantel e maturidade. Era um jogador que já conhecia o clube, que tinha características importantes, como capacidade e personalidade para ter a bola.

R – Mas Veloso acabou por ser determinante na saída de Roca.

PB – Sim, esta época sim, porque a possibilidade da venda do Miguel era uma situação que estava em cima da mesa. Não houve nada de concreto, mas era equacionado. Havia outras hipóteses. Por exemplo, o Roca ficar e aí teríamos de encontrar uma solução para o Adrien jogar. Mas com arranque do Miguel, sendo ele que começou a jogar, invertendo a situação da época anterior, junto com as dificuldades que Rochemback revelou na fase inicial da temporada, também por algum excesso de peso com que apareceu, levou a que ponderasse a saída. Nós aceitámos porque ficávamos com o Miguel e o Adrien. Como primeira opção ficámos com um jogador mais jovem, com características diferentes mas com vontade de jogar.

R – Miguel Veloso foi um dos que chorou baba e ranho com a sua saída, como descreveu Bettencourt?

PB – As expressões têm de ser entendidas em determinados contextos. O Miguel teve ao longo deste percurso um rendimento positivo. E só não foi mais positivo porque as oscilações foram muito mais em termos emocionais e mentais do que propriamente em termos de rendimento. Ou seja, foram as oscilações emocionais que lhe provocaram uma queda de rendimento. Só por isso não teve um rendimento excepcional ao longo deste trajeto. As razões que levaram a que ele tivesse essas quebras em termos emocionais são mais abrangentes.

R – Mas sentiu a sua saída?

PB – Em relação a essa questão, é verdade que era um jogadores que, num momento difícil, porque foi um momento difícil para todos ou para quase todos – pela emotividade, pela relação de muitos anos, porque era um jogador que estava comigo no

Sporting desde 2006/07, mais os juniores -, foi um jogador que sentiu de uma maneira triste a minha saída. Assim como muitos outros. O Miguel é um jogador que tem um talento e uma capacidade técnica enormes e que se não tiver oscilações, poderá ter uma carreira brilhante pela frente.

Deixa comentário, ou envia trackback através do teu site.

Comentar